Dom Casmurro, Machado de Assis (1899)



Dom Casmurro conta a história de Bento Santiago, um rapaz nascido em uma família abastada, com um futuro já traçado, já que sua mãe fez uma promessa para que ele se tornasse Padre. Betinho, como é chamado pela mamãe e pessoas próximas, é vizinho de Maria Capitolina, a Capitu, por quem é apaixonado e correspondido. Mas como tirar a ideia de torna-lo Padre da cabeça de sua mãe? Capitu é quem ajuda a bolar um plano para que ele se livre da missão. E assim é feito, passa o tempo e os dois um dia se casam. Muito romântico e tudo seria lindo e perfeito, não fosse o ciúme de Bentinho. O livro é conhecido pela questão mais famosa da literatura brasileira: Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Existe mesmo essa margem pra dúvida.

A hipótese da traição de Capitu sempre foi considerada única. A partir dos anos 1960, começaram a cogitar a possibilidade de esta não ter acontecido, quando os assuntos relacionados ao direito da mulher começaram a ser mais discutidos. Bentinho sempre foi uma pessoa incapaz de tomar uma decisão sozinho. Com a ajuda de Capitu, foi que ele conseguiu escapar da vida no seminário. Se não fosse por ela, ele não teria coragem de enfrentar a mãe contra sua promessa. Bentinho provavelmente é a versão machadiana de um Enzo. Mas ok, conseguiu abandonar o seminário, foi estudar direito e, quando terminou os estudos, casou-se com Capitu.

Eles viviam muito felizes, sempre acompanhados de Escobar e Sancha, amigo de seminário de Bento e amiga de infância de Capitu, que acabaram se casando também. Todos viviam bem, até que Escobar morre. No velório, enquanto observa Capitu, Bentinho percebe um olhar dela para o morto que o faz pensar que talvez ela fosse apaixonada pelo defunto, e começa a imaginar todas as possibilidades possíveis, que o levaram a crer que os dois eram amantes, cogitando até a possibilidade de seu próprio filho ser, na realidade, de seu amigo.

Dois pontos importantes: Bentinho sempre deixou claro que era muito ciumento; pensou em pegar a esposa do melhor amigo, porque ela pegou sua mão de um jeito diferente e deu um olhar que lhe pareceu que o estivesse convidando para "entrar". Dessa maneira, porque não pensar que Bentinho só estivesse tentando se redimir por ter pensado em pegar a Sancha, arrumando um pecado maior para a própria esposa? E, na cegueira do ciúme, enxergou coisas que só poderiam se passar na cabeça de um cara possessivo.

Não fosse tão chato, provavelmente teria envelhecido com Capitu ao seu lado. Mas não! Falou sobre a suposta traição para a esposa que, indignada, terminou a relação. Para não ser o mal falado da cidade, mandou-a para a Suíça com o filho, e fingia ir visitá-la de vez em quando, para não despertar dúvidas. Acabou sozinho, amargurado, acreditando em uma verdade que somente ele enxergou.


Adaptações

A Globo lançou em 2009 a série Capitu, baseada na obra. Apesar de contar uma história que se passa no século XIX, consegue transmitir uma aparência moderna, contando com uma trilha sonora com algumas músicas também inspiradas no romance. Conta com os atores Maria Fernanda Candido e Michel Mamelade nos papéis principais.

Além da série, a obra também foi adaptada para os filmes: Capitu de 1968, com Othon Bastos, Isabella Cerqueira e Raul Cortez, direção de Paulo Cesar Saraceni; filme Dom de 2003, que é inspirado na história, com Marcos Palmeira, Maria Fernanda Cândido e Bruno Garcia, direção de Moacyr Góes; Capitu e o Capítulo de 2023, com Mariana Ximenez e Vladimir Brichta, direção de Julio Bressane.


Músicas

Capitu é uma canção interpretada por Zelia Duncan, composta por Luiz Tatit, que começa dizendo “De um lado vem você com seu jeitinho hábil, hábil, hábil... e pronto! Me conquista com seu dom.”

Martinho da Vila fala sobre o autor na canção Machado de Assis, citando além de Dom Casmurro, algumas outras obras do autor:

De Dom Casmurro foi autor
Da Academia de Letras foi sócio fundador
Depois alcançou a presidência
Tendo demonstrado grande competência
Ele foi o literato-mor
Suas obras lhe deram reputação
Quincas Borba, Esaú e Jacó
A Mão e a Luva, A Ressurreição
Ele tinha inspiração absoluta
Escrevia com singeleza e graça
Foi sempre uma figura impoluta
De caráter sem jaça


 

Referências

Guia do Estudante Abril - Dom Casmurro

Academia.org.br - Machado de Assis

Letras.mus.br - Martinho da Vila

Arte.estadao.com.br - Capitu / A mulher nas palavras de compositores brasileiros

Adoro Cinema - Dom

Adoro Cinema - Capitu e o Capítulo

Youtube - Capitu, filme 1968 


Imagem

Observatoriodoaudiovisual.com.br - Capitu    (Nota da página: Todas as imagens da minissérie usadas nesta análise são capturas de tela)


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