A Redoma de Vidro, Sylvia Plath (1963)


Aviso: O texto podem conter gatilhos relacionados à transtornos mentais e $u!c1d!0.


Publicado em 1963, este foi o único romance escrito por Sylvia Plath, que já era conhecida por seus poemas, algo que não fica de fora deste livro, pois há diversos trechos que só poderiam ter saído da mente de uma poetisa. 

Considerado quase autobiográfico, as situações vividas por sua protagonista, Esther Greenwood, descrevem algumas que a própria Sylvia viveu.


Esther é uma jovem brilhante e com um futuro promissor, criada pela mãe (o pai faleceu quando ela ainda era criança), que planeja se tornar poetisa. Ela ingressa na faculdade por meio de uma bolsa de estudos, o que acaba dando a oportunidade de estagiar por um mês, em Nova York, em uma renomada revista de moda, o que poderia abrir várias portas para o início de sua vida profissional. 

O livro começa com Esther narrando seu período em Nova York. Ela descreve esse momento como algo que qualquer garota sonharia em ter (hospedagem, roupas, festas, jantares, tudo pago pela revista, além de um salário). Apesar de tudo, nesse momento em que deveria estar satisfeita com o que ela conquistou, Esther começa a questionar o que fazer com essas oportunidades, se os caminhos que ela havia imaginado percorrer estariam certos. Em meio a toda incerteza e questionamentos, cercada por pessoas aparentemente bem resolvidas, Esther se fecha, estaciona, não consegue mais produzir ou se interessar por nada. Ela define o momento, explicando apenas que se sente triste e cansada por não cumprir suas tarefas e ainda mais triste e cansada por saber que precisa fazer e não conseguir. 

 

"Eu via minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde... Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro uma professora brilhante, outra era J.C., a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.

Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés."

 

Mesmo sabendo que precisa seguir em frente, como saber se sua escolha não a fará se arrepender no futuro? E que imagem as pessoas terão dela, mediante suas escolhas? Uma escolha precisaria obrigatoriamente anular outras?

Seu estágio acaba e ela retorna pra casa, ansiosa para saber se havia conseguido uma vaga para um curso, que seria uma oportunidade de aprimorar seus conhecimentos para escrever poemas, mas ela não é selecionada. Esse era o último fio de esperança que ela tinha para continuar produzindo algo relevando. 

Sua vida acaba se resumindo a ver os dias passarem, sem dormir, tomar banho, sem conseguir escrever nada, que era algo natural para ela, apenas esperando suas férias acabarem, sem saber se voltaria para a faculdade para o próximo período. 

Esther consegue ajuda, mas não porque buscou, mas porque foi conduzida à isso pelas pessoas que teoricamente deveriam estender a mão e ajudá-la a se reencontrar. Esperam que ela simplesmente fique bem, que volte a sua rotina, como se fosse uma pílula que ela engolisse e voltasse a ser quem era. Além de tudo isso, ela é submetida a tratamentos de choque, que só pioram sua situação.

 

"...onde quer que eu estivesse - fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangkok - estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado."

 

O livro me deixou angustiada. Você se põe no lugar da Esther, consegue sentir seu sofrimento. 

Apesar de toda a angústia, no fim conseguimos enxergar um futuro para vida da Esther, o que infelizmente não aconteceu com a Sylvia Plath, que infelizmente cometeu $u1c!d10 aos 30 anos, após anos com depressão e de um relacionamento cheio de abusos.

 

Adaptações

Com data de estreia ainda não confirmada, a atriz Kirsten Dunst pretende fazer de seu primeiro trabalho como diretora uma adaptação do livro, que contará com Dakota Fanning no papel principal, mas já existe uma adaptação de 1979, com Marilyn Hasset no papel de Esther Greenwood (só encontrei a versão original, em inglês, no Youtube – The Bell Jar).

 

Músicas

A banda Bangles, lancou em 1988 em seu albúm Everything, a música Bell Jar, que fala sobre frustração e tristeza, sobre viver sozinho, mesmo cercado de pessoas, preso em uma redoma.

 

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History of Literature

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