São Paulo: A Pediatra - Andréa Del Fuego (2021)

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A Pediatra - Andréa Del Fuego

"Impossível não se deixar seduzir pela fúria insana de Cecília, a pediatra canalha. Adepta da cesariana com data marcada, a doutora detesta crianças, doulas e partos humanizados, tem desprezo pelo sofrimento materno e checa o Apgar dos recém-nascidos com a indiferença de quem segue a receita de um bolo. Tudo é permitido aos que carregam um estetoscópio no pescoço, crê a moça na sua soberba médica. O humor vil de Del Fuego, tanto choca quanto fascina, nesse cirúrgico absurdo literário passado no sacrossanto momento do parto."

(Fernanda Torres, Texto da 4ª Capa, Ed. Companhia das Letras, 2021)


Cecília é A Pediatra. Não gosta de crianças. Escolheu a profissão por comodidade, pois seu pai também é médico. Optou por não ter filhos, evitando o risco de ter uma criança doente e dependente de cuidados extremos (sendo pediatra e filha de médico, conhecia o peso de ter uma criança com alguma doença crônica). Evita também pacientes que requerem cuidados médicos mais profundos, preferindo casos simples, mandando casos mais complexos para seus colegas de profissão. Deixa de atender seus pacientes quando completam dois anos, para evitar doenças que possam aparecer depois dessa idade. 

Para trabalhar, segue a cartilha do que aprendeu na faculdade, resolvendo casos simples, sem precisar correr riscos com situações que exijam maiores cuidados.

 

O livro começa com Cecília contando sobre a depressão do marido e um casamento que já acabou, mas que nenhum dos dois assume.

No meio do caminho, conhece Celso, um homem casado com uma esposa grávida, de quem se torna amante.

 

Cecília é pediatra neonatal. Ela acompanha partos e atende aos primeiros cuidados dos bebês, prestando serviços direto ao médico obstetra. Enquanto tenta administrar sua vida pessoal, em certo momento, ela percebe que os chamados para partos diminuem. Ela descobre que existe um outro médico, especialista na mesma área, mas que oferece um trabalho mais humanizado, trabalhando com doulas que acompanham a gestação, parto e o pós-parto, fazendo um trabalho muito mais pessoal com as mães e bebês. Isso afeta profundamente o trabalho de Cecília, que vai procurar formas de eliminar seu concorrente. 

 

Entre vida pessoal e profissional, ela percebe que terá que lidar com Deise, que trabalha e mora em seu apartamento, e que está grávida.

 

Cecília reconhece que todo o padrão que havia construído para sua vida começa a se desfazer, mas seu egoísmo e sua mente perturbada não a deixam entender que boa parte dos seus problemas foram criados por ela mesma.

 

A leitura é fácil, rápida, agradável, prazerosa, divertida (não parece, mas é), mesmo essa não sendo a história de uma moça boa e super do bem. 

 

Sobre a autora 

Andrea Del Fuego nasceu em São Paulo, em 1975. Escritora e mestre em filosofia pela USP, publicou os volumes de contos Minto enquanto posso (Fina Flor, 2004), Nego tudo (O Nome da Rosa, 2005) e As miniaturas (Companhia das Letras, 2013), além de diversos livros juvenis e infantis. Seu primeiro romance, Os Malaquias (Língua Geral, 2010), ganhou o prêmio Saramago de literatura. 

 

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