Em uma sociedade que tem Henry Ford como uma
espécie de divindade, as pessoas são produzidas em massa, utilizando-se o
método de linha de montagem desenvolvido por Ford para produção de automóveis, onde
as pessoas são manufaturadas / programadas / condicionadas com o objetivo de
exercer um papel específico em uma sociedade dividida em castas,
classificando-se como Alfas, Betas, Gama, Deltas e Ípsilons, da casta mais alta
às inferiores. Os indivíduos das castas inferiores passam por pequenas
interferências enquanto são produzidos, como diminuição do oxigênio que
recebem, adição de álcool em suas cápsulas embrionárias, exposição à altas
temperaturas (para se adaptarem à trabalhos que sejam considerados insalubres
devido ao calor excessivo), coisas que vão comprometer, de forma controlada, o
desenvolvimento do feto, transformando-o no modelo ideal para cumprir seu papel
social.
Na sociedade descrita no livro nada é natural,
os relacionamentos são superficiais, o amor não é estimulado, mas o sexo
incentivado e manter parceiros fixos não é visto com bons olhos. A alegria e o
bem-estar é imposta por meio do soma, um entorpecente lícito distribuído pelo
governo, o que evita pensamentos que possam ser considerados subversivos.
O consumo de bens é a base econômica da
sociedade. Condicionamentos que antes incentivavam indivíduos à apenas apreciar
um campo de flores, por exemplo, foi alterado para que esses prazeres fossem substituídos
por ações que gerassem retorno monetário, por meio da compra de roupas,
equipamentos, viagens... A sociedade só funciona se existirem pessoas
consumindo excessivamente.
O conhecimento vem por meio do
condicionamento. Repetições durante o sono, centenas de vezes, para que cada indivíduo
aprenda apenas o que for pertinente ao trabalho irá executar e à casta de cada
indivíduo.
A história, à princípio, gira em torno do alfa
Bernard, que por um descuido, teve algumas gotas de álcool adicionadas à sua
cápsula embrionária durante seu processo de fabricação (pelo menos é o que
dizem). Ele é um pouco mais baixo do que o perfil normal dos Alfas, o que o
deixa inseguro e sentindo-se menosprezado pelos demais.
Mesmo não sendo estimulado a repetir
parceiros, Bernard chama uma antiga parceira, Lenina, para uma viagem para uma
colônia que fica fora dos limites da civilização.
A Colônia é um local onde hábitos antigos,
como a monogamia e dogmas religiosos, são mantidos.
Nessa viagem, eles encontram John, o "selvagem”, um homem com
a aparência diferente dos demais habitantes da colônia e, por esse motivo,
menosprezado pela comunidade, com uma história que acaba chamando a atenção de
Bernard.
O casal então convida o rapaz para voltar com
eles para a civilização, que aceita por ser algo que ele desejava, por causa de
histórias que sua mãe contava.
John não era respeitado por sua comunidade por
ser diferente e, chegando ao novo mundo, também não consegue se sentir parte
daquele lugar. Conforme começa a aprender sobre esse novo lugar, percebe que
nada daquilo é real, que a felicidade é artificialmente imposta.
Em um diálogo sobre Otelo, de Shakespeare, com
o Administrador, Mustafá Mond, que é o responsável por controlar a estrutura
social, questionando porque a literatura foi proibida, recebe a seguinte
resposta:
"Porque nosso mundo não é o mesmo de Otelo. Não é possível fazer um calhambeque sem aço, e não se pode fazer uma tragédia sem estabilidade social. O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma. Que o senhor atira pela janela em nome da liberdade, sr. Selvagem. Da liberdade! – riu – Espera que os Deltas saibam o que é a liberdade! E agora quer que eles compreendam Otelo! Meu caro Jovem!"
O que torna esse novo mundo perfeito é a
estabilidade. Um mundo somente de Alfas não daria certo, pois nenhum deles, com
o condicionamento que recebe, aceitaria fazer o trabalho atribuído à um
Ípsolon, por exemplo.
As pessoas são felizes pelo que elas são
condicionadas a ser, ninguém quer ser de uma casta diferente, pois cada um conhece
o seu papel social. As pessoas não tem como se revoltar ou se rebelar por
melhores condições, pois qualquer condição oferecida é tudo o que eles poderiam
querer, pois não sabem e nem pensam na possibilidade de ter outra vida.
As distopias tem a capacidade de analisar
possibilidades de futuro por meio de acontecimentos passados, e o que esses
livros nos mostram é que o primeiro passo para que um governo autoritário e
totalitário se instaure é eliminar o conhecimento. Sem conhecimento, sem meios
de melhorar o intelecto, você fica fadado a se satisfazer com o que te
oferecerem, pois ninguém terá embasamento suficiente para lutar por uma vida melhor
e mais justa, seguindo o que é estabelecido pelo estado.
E, nesse caso, sempre haverão os que se
beneficiam com a situação e os que só perdem.
Título do Livro
Faz referência ao conto A Tempestade de
William Shakespeare.
John, o Selvagem, aprendeu a ler com a mãe e o
único livro que conseguiu quando era criança, tendo o conservado até a vida
adulta, foi uma coletânea com várias histórias do Shakespeare.
Em certo momento, ele cita uma frase do conto enquanto conversa com Bernard, quando descobre que deixará a colônia para seguir ao novo mundo:
“Oh, Admirável mundo novo, que encerra criaturas tais!”... Partamos em seguida.
O wonder!/How many goodly creatures are there!/How beauteous manking is! O brave new world,/ That has such people in´t (Tempestade, V, I) (Nota de rodapé, pag.171, Admirável Mundo Novo, Ed. Biblioteca Azul)
Músicas
Temos Admirável Gado Novo do Zé Ramalho (Álbum
A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, 1979) e Admirável Chip Novo da Pitty (Álbum
Admirável Chip Novo, 2003) que tem seu título totalmente inspirado no livro.
Outras músicas que também se utilizam do título
são Brave New World do Iron Maiden (Albume Brave New World, 2000) e Slave New
World do Sepultura (Álbum Chaos A.D., 1993).
Soma da banda Strokes (Álbum Is This It, 2001)
fala sobre a dorguinha que os caras do livro consomem para melhorar seu bem
estar pessoal e social.
Adaptações
O livro foi adaptado para filmes diretos para a
televisão em 1980 e 1998 (da pra encontrar no Youtube pelo título em inglês, Brave New World).
Além dos dois filmes, uma série "livremente inspirada" no livro foi lançada em 2020, mas foi cancelada após sua primeira temporada.

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