Leia Mulheres Brasileiras
“A cidade no interior de Minas Gerais para a qual Vanessa se
mudou é o tipo de lugar onde anunciam os horários do cinema e os obituários com
o mesmo carro de som. Nada de muito interessante acontece por lá, a não ser
para Binho, que, segundo ele mesmo, tem várias namoradas e conhece um monte de
cantores sertanejos famosos.
A verdade é que Binho é um mentiroso contumaz e agora passou dos
limites: intentou que tem uma capivara de estimação. Cansados das histórias
cada vez mais mirabolantes do garoto, Vanessa se junta aos amigos – Léo, Nick e
Zé Luiz – para desmascará-lo. E eles estão decididos a ir até o fim.
Narrados durante as doze horas de uma noite regada a álcool,
salgadinhos, segredos e romances mal resolvidos, Enfim, capivaras explora,
através de diferentes pontos de vista, os relacionamentos de um grupo de
adolescentes em busca de uma capivara – ou muito mais do que isso.”
(Texto da 4ª Capa, Ed. Seguinte, 2019)
Com algo que lembra os filmes Conta Comigo e O Clube dos Cinco,
o livro conta a história de adolescentes que vivem na Chapada do Pytuna, uma pequena
cidade no interior de Minas. Não são super amigos, mas por algum motivo estão
sempre juntos.
Cada personagem possui características diferentes um dos outros,
tornando essa quase amizade uma prova de resistência, pois cada um pensa e age
de forma diferente dos demais.
Vanessa é a recém-chegada na cidade, entra para o grupo quando
já existe uma história entre os outros 4 integrantes.
Nick é a gótica, tem um senso crítico aguçado e prefere se calar
à ter que explicar tudo o que se passa em sua cabeça.
Leo é o menino rico, filho de um fazendeiro, e aparentemente é o
que tem a vida mais tranquila do grupo.
Zé Luiz é amigo de Leo, filho da empregada que trabalha na casa
da família de Leo. Apesar de ser tratado bem pela família, ele é o filho da
empregada.
Denis (ou Binho) é o mentiroso. Diz que a mãe faz compras em um
mercado em Brasília, que fica a quilômetros de distância da cidade onde moram,
o tipo de lorota que ele conta. Denis (ou Binho) disse aos outros que tem uma
capivara de estimação, mas que, oportunamente, foi roubada quando os outros 4
foram confirmar a história.
E esse é o enredo da história: para confirmar se Denis é realmente
um mentiroso ou para pelo menos conhecer uma capivara pessoalmente, eles partem
em busca da bichinha perdida, munidos de salgadinhos, pães, cerveja, cachaça e
vodka saborizada.
A cada capítulo você vai conhecendo um pouco mais sobre cada um,
pois os personagens se revezam na narrativa, passando o que está acontecendo
naquele momento (com exceção de Denis, pois provavelmente o capítulo dele seria
uma coleção de mentiras). Além disso, a cada início de capítulo existem listas
que também ajudam a montar um perfil de cada um.
O livro fala sobre sexo e sexualidade, tem palavrões. Nada que
fuja do contexto adolescência, mas fica o aviso.
Eles consomem álcool, dirigem mesmo sendo menores de idade, mas
toda e qualquer possível infração fica na responsabilidade de Leo, o menino
rico e acima da lei.
A busca pela capivara perdida é só o pano de fundo para coisas
maiores. Esses adolescentes estão passando por uma fase de transformação, de
descobertas. Eles enfrentam medos, receios, incertezas, coisas que passam na cabeça
de qualquer pessoa nessa fase da vida, além de abordar temas como desigualdade
social e ecologia.
Talvez os mais jovens que leiam o livro se identifiquem com os
personagens, e pais podem iniciar conversas sobre assuntos que passam
despercebidos dentro de casa.
Sobre a Autora
Luisa Geisler nasceu em 1991 em Canoas, Rio Grande do
Sul. É escritora e tradutora. Autora de Luzes de emergência se acenderão
automaticamente (Alfaguara, 2014) e De espaços abandonados (Alfaguara,
2018), foi duas vezes vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, além de finalista
do Prêmio Machado de Assis, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura e
duas vezes finalista do Jabuti. É mestre em processo criativo pela National
University of Ireland.

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